Os melhores restaurantes do mundo
Nesta segunda, 20 de abril, foram escolhidos os 50 melhores restaurantes e chefs do mundo. A festa, considerada o "Oscar" da culinária, foi organizada pela Restaurant Magazine, de Londres. No júri, formado por 837 especialistas do setor - críticos, editores e jornalistas, houve um representante da América do Sul, o jornalista e crítico gastronômico Josimar Melo. Para julgar, duas regras básicas: os votados deveriam ter sido visitados pelos jurados, nos últimos 18 meses; e ninguém podia votar no seu próprio restaurante. Em primeiro lugar, pelo quarto ano consecutivo, ficou El Bulli - em Rosas, região da Catalunha, na Espanha; sendo seu chef, Ferran Adrià, desde muito considerado "o alquimista da cozinha". Nada a estranhar, já que a Espanha teve 6 restaurantes na relação. Em segundo lugar, The Fat Duck - em Bray, condado de Berkshire, nas proximidades de Londres. Mesmo tendo sido obrigado a fechar suas portas, em fevereiro, por conta de intoxicação sofrida por clientes. Em gesto de solidariedade, Adrià dedicou o prêmio a seu chef Heston Blumenthal; e o inglês retribuiu, chamando Adrià de "meu professor". No fim, todos indo felizes para suas casas.
Os países de maior tradição, no ramo, foram todos contemplados. França, teve 8 prêmios - entre eles L'Atelier de Joël Robuchon (18º), que recebeu do guia Gault Millau (em 1989) o título de "chef do século". Estados Unidos, 8; Itália, 6; e Inglaterra, 4. O Brasil, para delírio da gastronomia nacional, também está na lista, com o restaurante D.O.M., de Alex Atala - considerado o melhor da America do Sul. Não é a primeira vez. Em 2006, esteve no 50º lugar; e Atala até festejou, dizendo ser "o pior dos 50 melhores do mundo". Em 2007, subiu para 38º. Em 2008, imitando a gangorra do dólar, caiu um pouco, para 40º. Agora, foi 24º. Nada a estranhar; que o D.O.M., já fora brindado, no Brasil, com a cotação máxima no Guia 4 Rodas. E mais outros prêmios: como melhor cozinha contemporânea de São Paulo, pelas revistas Gula e Veja; e melhor restaurante do ano, pela revista Prazeres da Mesa. Não por acaso, pois que Atala é criativo, misturando ingredientes nacionais e técnicas clássicas. Por exemplo transformando o fois gras, que acompanha um de seus pratos, em farinha gelada.
Julgar é sempre difícil. E muitos restaurantes, que ficaram fora dessa lista, acabaram injustiçados. Por mim, só lamento mesmo é que o pessoal do Restaurant Magazine não ande mais por aqui. Porque, então conheceriam o sabor muito especial de nossos pratos. E que Adriá, quem sabe, trocaria a Catalunha por Caruaru, mostrando ao mundo o sabor incomparável de uma carne de sol com manteiga de garrafa, ou ainda sarapatel, buchada, peixada, mão de vaca, carne de sol, arrumadinho de charque, porco assado, bode guisado. Nesse dia, como por encanto, o mundo inteiro se curvaria à excelência dos sabores de nossa terra. Talvez tudo isso seja só sonho. Ou não, quem sabe.
Fonte Jornalista Leticia Cavalcanti |