Retsina: gosto que lembra a Grécia
Muitos adoram esse vinho, outros nem tanto. Há 30 anos atrás, era esse vinho o servido nas tavernas gregas quando se pedia um vinho da casa. Retsina é um vinho branco, seco, de cor dourada, encorpado, cujo gosto é assemelhado ao perfume de um sabonete ou terpentina, pois a seiva é o aroma marcante. É um gosto incomparável, que combina com a paisagem grega, com o calor, a arquitetura típica e branca, as majestosas construções da Antiguidade, as lindas praias e mulheres.
Hoje, no entanto, uma viagem à Grécia não garante que se consuma facilmente um vinho Retsina. Nas tavernas ou em família, o brinde feito com a palavra grega "giamas" raramente envolve a Retsina. É que esse vinho saiu de moda. Os gregos consomem hoje vinhos engarrafados. Apenas algumas vinícolas continuam aproduzir a Retsina, sendo a maior delas a Kourtakis na Ática. O vinho é engarrafado em garrafas bojudas com tampa de metal. Essa tampa afasta muitos dos apreciadores de vinhos. Grande parte da produção é destinada à exportação, especialmente nos EUA, Alemanha e Austrália, onde há, aliás, muitos imigrantes gregos.
A idéia é agora fazer com que a Retsina volte para as mesas de casa e dos restaurantes, resgatando a tradição. Li em no jornal Ta Nea que os gregos “Querem dar à Retsina seu lugar de honra“, em entevista com o produtor Giorgos Vassiliou. Dos 4 milhões de hectolitros produzidos em 2008, 600.000 hectolitros foram de Retsina, o que corresponde a 15%. A tendência é, portanto, produzir mais.
A seiva da madeira dá o aroma à Retsina
Na produção desse vinho, é importante que se use apenas uvas de primeira qualidade e tenha muito cuidado no processo de produção. A base é um vinho branco Roditis da região de Corinto, adicionando-se uma dose certa de seiva de pinus. É isso que atribui ao vinho seu aroma característico e faz com que a durabilidade seja maior.
A história da Retsina remonta a Antiguidade. As ânforas de cerâmica, onde era colocado o vinho, tinha, que
ser fechadas com essa seiva, senão o vinho estragava muito rápido, com a entrada de ar pelos poros da cerâmica. Esse aroma passava para o vinho, sendo que na Antiguidade já se discutia se era intencional ou não esse aroma.
Só que, mesmo após a utilização de barris de madeira e de garrafas de vidro, os gregos continuaram a utilizar a seiva para dar esse típico aroma ao vinho, mantendo a tradição. No final dos anos 70, esse vinho saiu de moda, já que os produtores renderam-se às técnicas modernas da produção.
Agora os produtores parecem querer fazer desse vinho tradicional um vinho moderno com um passe de mágica de marketing. No fundo, nem era necessário tudo isso. Bastaria relembrar que a Retsina combina com a culinária grega, tem efeito positivo para as doenças do aparelho digestivo e do coração e ainda contra as dores em geral. "Giamas!"