A tradição da cultura do vinho espanhol remonta à Antigüidade, desde 3000 a.C. Os fenícios fundaram a cidade de Gadir (hoje Cádiz) , no ano 1100 a.C, onde comercializavam vinho na região do Mediterrâneo. O primeiro apogeu, data do ano de 200 a.C, pois os romanos apreciavam o vinho da Baetica (Andalusia). O desenvolvimento decaiu com o ataque dos mouros em 711. Por razões religiosas, em função do islamismo, as uvas passaram a servir apenas para a produção de passas, muito embora os mouros tenham trazido a arte da destilação. Somente após 700 anos, os cristãos retornaram e, com eles, a produção de vinho, especialmente perto dos mosteiros. A partir do início do século XVI, os colonizadores trouxeram vinho da América, em grandes quantidades. Aliás, os espanhóis levaram espécies européias de uvas para o novo mundo, tendo um importante papel.
Na segunda metade do século XIX, as pragas destruíram os vinhedos, resistindo apenas Rioja. Quando a praga veio a atingir também essa região, a maioria dos vinhedos já estava recuperada, com o plantio de uvas finas. Os franceses, em função da praga, não conseguiram suprir o mercado com o vinho francês, importando vinho espanhol e até imigrando para a Espanha a fim de produzir vinho. Esse fato contribuiu muito para o desenvolvimento da vinicultura espanhola, especialmente no que diz respeito à armazenagem, até hoje. Os vinhedos foram destruídos em grande parte nos anos 30, com a Guerra Civil, que findou em 1939 com vitória do General Franco. A situação veio a mudar novamente com a entrada da Espanha na União Européia. A partir de 1960, houve um boom, com os vinhos típicos espanhóis: Rioja e Sherry. Hoje a Espanha é um dos países mais dinãmicos na produção de vinhos. Com quase 1,2 milhões de hectares de vinhedos e 43 milhões anuais de hectolitros (cem litros), em 2004, a Espanha está dentre os primeiros países, competindo com a Itália e a França pelo primeiro lugar.
A Espanha é, após a Suíça e a Albânia, um dos países mais montanhosos da Europa. Há grandes rios para irrigar as plantações: Ebro e Duero no norte, o Tajo no oeste, o Guadiana no sul e o Júcar e Turia no leste. A Espanha possui 3 zonas climáticas: no norte, com verões quentes e invernos frios, no centro, os verões são muito quentes e os invernos muito frios e ainda a costa, com verões quentes e brisa do mar, mas pouca chuva.
Há, na Espanha cerca de 600 espécies de uvas cultivadas, mas muitas servem apenas para a produção e o consumo local. Com 300.000 hectares, a Airén é a espécie de uva mais utilizada para o vinho no mundo.