sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Vinho na Áustria
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Na Áustria, a atividade da vinicultura reporta ao período celta, há mais de 3.000 anos a.C. As províncias de Zagersdorf, em Burgenland, na região do Neusiedlersee-Hügelland e de Stillfried, na Baixa-Áustria (Niederösterreich) são as produtoras mais antigas de vinho austríaco. Nas duas regiões, foram encontradas cepas da espécie Vitis vinifera , originadas dos anos de 700 e 900 a.C. A revogação da proibição de plantação de vinhedos fora da Itália, de autoria de do rei Domiciano (51-96), pelo rei Probus (232-282), foi essencial para impulsionar a vinicultura. Com ela, as províncias de Noricum (Ober- e Niederösterreich) e Pannonien (Burgenland) iniciaram a produzir vinho ordenadamente, o que foi prejudicado com os movimentos migratórios da população.  Somente foi retomada a atividade a partir do século IX, com a influência da atuação do rei Karl, o Grande (742-814). Importante papel foi desenvido pela igreja, especialmente pelas Ordens Beneditina e Zisterzienser. Na Idade Média, os mosteiros de Klosterneuburg, Melk e Göttweig foram os precursores da vinicultura. A vinícola mais antiga da Áustria é a Freigut Thallern, em Gumpoldskirchen, com 70 hectares, fundada pela Ordem Zisterzienser no ano de 1141. A vinícola Dinstlgutes em Loiben (Niederösterreich, com vinhedos em Wachau) tem origem no século XIX.

A primeira regulamentação do vinho tratava da jornada de trabalho e de penalidades para furtos de vinhas e remonta ao Habsburgo Herzog Albrecht II, no ano de 1352. Já na Idade Média, havia a qualificação dos vinhos em classes. No século XVI, a vinicultura austríaca atingiu seu apogeu, com cerca de 150.000 ou até 200.000 hectares de vinhedos. Hoje são cerca de 50.000 hectares. A Mönchsberg, de Salzburg, era repleta de vinhedos, assim como o Semmering. Havia vinhedos em Linz (Oberösterreich), Salzburg, Kärnten e Tirol. A bela capital, Viena, estava repleta de vinhedos. A obra mais antiga que trata sobre o vinho é de autoria de Johann Rasch (1540-1612), descrevendo técnicas de armazenagem, plantação e comportamento. A vinicultura sofreu seu declínio com a introdução da cerveja e com a Guerra dos Trinta Anos no século XVII. Além disso, o imposto (contra-moeda), aumentou, em 12 anos, de 10% para 30% o valor vinho foi outro fator contrário à atividade.

Passaram os austríacos então a produzir cerveja ao invés de vinho. Os vinhos produzidos eram vinhos baratos, para consumo em massa. Foi somente com Maria Theresia (1717-1780) que a surgiram regulamentações sobre vinagre, aguardentes e mostarda feita a partir de "Most" de uva. O imperador Josef II. (1741–1790) autorizou, em 17 de agosto de 1784 a venda da safra de vinho de sua própria residência. Essa foi a pedra fundamental para os atuais "Heurigen". No século XIC, houve uma catástrofe: um frio intenso, fungos trazidos da América e viroses acabaram com os vinhedos. Os fungos chegaram, provavelmente,  em 1867, quando August-Wilhelm Freiherr von Babo (1827-1894), Diretor da Escola  do Vinho de  Klosterneuburger, trouxe cepas americanas da Alemanha como presente.

Uma grande contribuição foi dada por Robert Schlumberger (1814-1879). Ele criou um método de produção de espumantes a partir do método de  Champagner, em 1846. Produziu o "Vöslauer weißen Schaumwein", que foi um sucesso. Após a Segunda Guerra Mundial, houve um alteração das estruturas e uma racionalização de métodos de produção. Lenz Moser III. (1905-1978) em Rohrendorf , na região de Krems em Nieder-Österreich, possibilitou a introdução de equipamentos modernos. Após o escândalo do vinho, em 1985, foram introduzidas leis severas de controle de qualidade. Em 1993 foi iniado um projeto de certificação das cepas. No início de 2003, foi criado o controle de qualidade de origem DAC (Districtus Austriae Controllatus), correspondente ao italiano DOC e ao francês AOC.

Para a produção de vinho de qualidade (Prädikatswein), podem ser utilizadas 35 qualidades de uva. São 22 qualidades de vinhos brancos: Bouvier, Chardonnay (Morillon), Frühroter Veltliner (Malvasier), Furmint, Goldburger, Grauer Burgunder (Pinot Gris, Ruländer), Grüner Veltliner (Weißgipfler), Jubiläumsrebe, Müller-Thurgau (Rivaner), Muskateller (Gelber Muskateller, Roter Muskateller), Muskat-Ottonel, Neuburger, Roter Veltliner, Rotgipfler, Sauvignon Blanc, Scheurebe (Sämling 88), Sylvaner (Grüner Sylvaner), Traminer (Gewürztraminer, Roter Traminer), Weißer Burgunder (Weißburgunder, Pinot Blanc, Klevner), Weißer Riesling (Riesling, Rheinriesling), Welschriesling e Zierfandler (Spätrot). São 13 qualidades de vinho tinto: Blauburger, Blauer Burgunder (Blauer Spätburgunder, Blauburgunder, Pinot Noir), Blauer Portugieser, Blauer Wildbacher, Blaufränkisch, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Ráthay, Roesler, St. Laurent, Syrah e Zweigelt (Blauer Zweigelt, Rotburger).

Os vinhedos são compostos hoje por cerca de 75% de uvas para produção de vinho branco e 25% para vinho tinto, embora, nos últimos anos, houvesse uma tendência para o consumo do vinho tinto. O Veltliner é o vinho número um da Áustria, com a fatia de 36% do mercado. Depois, vem o típico Zweigelt austríaco, com 9%.



Capital: Viena
Área: 83.858 km2
Moeda: Euro

Área: ~50.000 ha
Produção por ano: ~2.500.000 hl

 

 

 

 

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